Por Jéssica de Oliveira
Chegando lá, seguimos para a base da Polinter de Nova Iguaçu. Hosana e eu cobriríamos uma ação do projeto Livro Livre, orquestrada pelo Secretário Municipal de Cultura e Turismo, Écio Salles, e que contava também com a presença de escritores e agentes culturais da cidade. O objetivo da ação era distribuir bons livros para alguns detentos e que, posteriormente, seriam repassados para qualquer outro preso que se interessasse pela leitura.
A minha expectativa quanto à matéria não fugia do comum. Em nenhum momento eu parei para refletir sobre o local a que me dirigia naquela manhã. Meus pensamentos se limitavam apenas nas perguntas que poderia fazer e no texto que posteriormente viria a escrever. Até que meus olhos abruptamente se abriram.
Ao vislumbrar o grande prédio de fachada velha e por reformar, com a palavra polícia escrita em letras garrafais numa placa, eu senti uma ficha cair lentamente dentro de mim. Dirigimo-nos à entrada lateral, onde encontramos três agentes penitenciários vestidos com suas vistosas camisas azuis e os cumprimentamos: “Bom dia”. Ao atravessar a porta de entrada, meu coração sentiu um aperto, surpreendendo a mim mesma.